sábado, 10 de outubro de 2009

Não é difícil de adivinhar....

Muito bem apanhado este ex-ministro e ex-vereador da CML.
No Ministério da Cultura( diga-se: da coltura...) teve obra de menção quando mandou fazer a cag.... real, ou seja aquele caríssimo espaço para um WC privado no Palácio da Ajuda.
Candidato muito activo em tudo quanto serviria de «trampolim» para alcançar os poleiros.
Acompanhado da Madame Bárbara Vimaranes não se furtava a arruadas eleitoralistas para «catar» o voto ao povo.
Na CML, como não foi presidente, o lugar de vereador não lhe servia, as faltas acumulavam-se, até que deixou o lugar.

Agora na UNESCO lança-se no projecto da promoção do Fado a património mundial.
Já Santana Lopes enveredou pelo mesmo.
Populismo a quanto obrigas...
Meia dúzia de oportunistas esperam como os gatos que andam de boca aberta para lhe darem um carapau...
Os outros... que apanhem as espinhas!
Adm. do Blogue

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Fados negros e negros fados!




Há quem procure e não ache...

Eu sem procurar achei!

Há quem roube e não vá preso...

Eu fui preso e não roubei!!!


( De tradição oral no Fado Vadio)

Mais... perplexidades!

Um operário leal nunca é levado,
com falas de caixeiros-viajantes…
nem se deixa levar por um pedante
que o quer fazer banana
um operário leal nunca se engana.

Excerto do Fado do operário leal, em tempos cantado por Fernando Tordo.

4ª estrofe dos verso de Carlos Ary dos Santos.
Música de Fernando Tordo.

A azeitona já está preta…
Já se pode armar aos tordos


(Cantiga do folclore beirão)

O "segundo marido da viúva"...


Uma substituição pessoal é sempre motivo de alguma apreensão seja qual for a função a exercer, embora por vezes, e em certas circunstâncias, se obtenham resultados mais positivos com a funcionalidade do substituto, quando os recursos disponíveis agradam às partes interessadas.
Em todas as profissões o caso é complicado mas complica-se mais ainda nas actividades ligadas ao espectáculo por razões óbvias.
O desconhecimento do guião, a inexistência dos prévios ensaios, o meio envolvente, enfim; é, por vezes, «estar-se no mato sem cachorro»!
Nos retiros de fado, onde a afinidade entre artistas chega a ser mais próxima com os residentes, os «plins» do guitarrista Horácio podem, naturalmente, ser diferentes dos «plins» do guitarrista Anastácio…
Aqui o Horácio sente-se o «segundo marido da viúva» …
Considerando que a interpretação, apesar de subjectiva, tem formas diferentes de expor o tema, ornamentar, dialogar, improvisar, respeitando a linha melódica, a quadratura rítmica e proporcionando um adequado suporte harmónico, poderemos concluir racionalmente que apenas existe uma diferença pessoal.
Parafraseando os «slogans» em voga: todos diferentes, todos iguais!
Algo nos pode intrigar se tivermos imaginação e são humor:
Porque será que as fadistas insistem tanto nas vestes de negra cor?

Joseph

sábado, 3 de outubro de 2009

Cantas bem mas não me alegras...

Para o cantador mor…

Quando não é preciso cantar, cantas…

Quando é preciso cantar , não cantas…


Agora “quem tas canta sou eu"...

Extrato dos Livros do Astérix

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

O munícipe lisboeta pagará, bem caro, a festança!




Num período de crise, o «engagement» vem mesmo a calhar e o que é preciso é fazer como os três macacos e dizer:

-Oh Abreu dá cá o meu...
(Comentário deste Blogue sobre a notícia publicada infra)


Sérgio Godinho, José Cid entre dezenas de artistas em concerto de apoio a António Costa
Um espectáculo no Coliseu de Lisboa a 30 de Setembro vai reunir em torno da candidatura de António Costa (PS) à autarquia de Lisboa dezenas de artistas, entre os quais Carlos do Carmo, Sérgio Goginho e José Cid.


O cartaz é heterogéneo, contando também com Zé Pedro e Kalu, dos Xutos e Pontapés, os ex-Trovante João Gil e Luís Represas, os fadistas Camané, Cristina Branco e Mafalda Arnauth e os pianistas Bernardo Sassetti, Mário Laginha, Gabriela Canavilhas e António Rosado.
Fonte da candidatura socialista disse à Lusa que estão igualmente confirmados Carlos Martins, Pedro Jóia, Armando Teixeira, dos Balla, Manuel Paulo e Nancy Vieira, Ciganos D'Ouro, Nigga Poison, André Cabaço, Cacique 97 e Faith Gospel Choir.
António Costa estará com os artistas num jantar que decorrerá no próprio Coliseu.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

As origens do Fado.


As Origens do FADO
como Expressão Musical

Se já leram mais de 60 livros sobre este delicado assunto, de certeza que têm a noção de que vou falar de um assunto polémico. Se são estudiosos da matéria, nalguns pontos de certeza que estaremos em discórdia. Mas quando se investiga um determinado assunto criamos dentro de nós um conceito sobre a matéria estudada. Não sou detentor da verdade pura, mas sou contra as burrices de ideologias não fundamentadas.
Falar de FADO é ler e reler as diversas opiniões, mastigá-las bem, dar sete voltas à língua... botar faladura e seja o que Deus quiser. Qualquer que tenha sido a origem do FADO a opinião de Alberto Pimentel, para mim, é a mais credível. No seu livro "Triste Canção do Sul" ele é bem claro nas suas investigações. Luís de Camões, na sua epopeia "Os Lusíadas" utiliza 18 vezes a palavra fado. É precisamente aqui que o leitor menos atento começa por ter conceitos errados sobre a origem do FADO.
A palavra fado é uma coisa e FADO, como expressão musical, é outra. A comprovar esta afirmação está o estudo feito, por Alberto Pimentel, da literatura portuguesa do século XVI, XVII e século XVIII. Tinop não partilha da mesma opinião. Vislumbra no FADO uma origem marítima. É pouco provável. Sendo Portugal um país com tão grande extensão marítima, O FADO teria aparecido em diversos pontos de Portugal, levado por marinheiros e constaria dos arquivos e diários de bordo, por exemplo na Ponta de Sagres, onde existiu a Escola Náutica. Outra opinião não fundamentada é a visualização de semelhanças entre o FADO e o Lundum, dança de umbigada africana. Se assim o fosse, mais uma vez ele teria sido levado para outros pontos e não teria ficado circunscrito à zona de Lisboa.
Estabelecer uma ligação directa do FADO com a nostalgia das Mornas, com o Tango argentino, com as Festas de S. João de Braga ou com a solidão de um marinheiro no alto mar, implicaria que o mesmo tivesse aparecido no pulsar de outros povos de culturas bem diferenciadas da portuguesa. Que os portugueses de agora possam saborear o FADO em diversos pontos do nosso território, não faz do FADO a canção nacional.
Cada província portuguesa tem maneiras de estar de cantar e de sentir bem distintas. Retomando as ideias de Alberto Pimentel, primeiro nasceu o homem e depois a expressão musical. Isto é, primeiro nasceu o fadista e depois o FADO. Mas o primeiro fadista não cantava. A ele eram encomendados, por ser destro no manejo da navalha, o fado de muita gente. Esta personagem aparece com toda a lógica com a instabilidade do país, aquando da fuga da família real para o Brasil. Napoleão Bonaparte decreta o Bloqueio Continental e Portugal vê-se evadido e saqueado pelas tropas Napoleónicas. As ruas mal iluminadas e as casas, de gente endinheirada, abandonadas aguçam o apetite à mão do alheio. Um país saqueado tem fome, e casa onde não há pão todos ralham e ninguém tem razão. As vinganças e os ajustes de contas fazem aparecer no nosso país esta personagem de melenas compridas que encobriam a sua face, o juiz de todas as discórdias.
O fadista era temido por tudo e por todos, gabando-se, nas tascas mal iluminadas, dos seus feitos heróicos. É bem provável que nas sua visitas a casas de pessoas endinheiradas, que acompanharam a fuga da família real para o Brasil, ele tenha descoberto a Guitarra Portuguesa e na sua companhia comece por cantar as suas proezas.
A Guitarra Portuguesa que encontra os seus primeiros adeptos no Porto tem a sua origem próxima num instrumento inglês chamado Cistre (não confundir com Sistro, forquilha de madeira com soalhas de metal - da família dos Chincalhos), que entra pela Barra do Douro onde atracavam os barcos que faziam as trocas comerciais com os ingleses.
O Mestre de Capela do Porto António da Silva Leite, devido ao entusiasmo crescente por este instrumento, nacionaliza-o e escreve um estudo para Guitarra, dedicado a Dona Antónia Magdalena e coloca-o à venda 1200 réis, no dia 15 de Março de 1796. As músicas propostas por este estudioso são Minuetes, Marchas, Alegros e Contradanças.
Neste estudo de Guitarra não consta qualquer referência a nenhuma expressão musical que tenha a ver com FADO. Se o mesmo já existisse, também ele deveria ter sido contemplado por este professor de música. Só a partir desta data, a palavra Guitarra passa a pertencer ao vocabulário português.
De salientar a importância de um outro Método datado de 1789, escrito por Paixão Ribeiro para Viola de Arame de 12 cordas e 5 ordens com o título "A Nobre Arte da Viola". A Guitarra de Silva Leite só tinha 10 cordas, as 4 primeiras ordens duplas e as restantes singelas (utilizava a afinação natural - do agudo para o grave Sol, Mi, Dó, Sol, Mi, Dó) pela análise destes documentos podemos afirmar que a Guitarra nasceu sem conhecer o fado.
Parabéns ao nosso amigo e "colega do ramo", José Lúcio, como muito bem diz o nosso companheiro Sebastião Pinto Varela, pelo excelente trabalho apresentado.