sábado, 4 de julho de 2009
Curiosidades!
Se, por acaso, ouvir falar em «mesa de frades» não vá imaginar que se trata de alguma confraria ou irmandade...
Esqueça-se da frase proverbial que diz : "a ordem é rica e os frades são poucos"...
*****
Ao Fado tudo se canta!
Ao Fado tudo se diz...
No cristal duma garganta,
Vive a alma dum País!
***
Os fadistas e os guitarristas são geralmente conhecidos pelos seus nomes; patronímicos ou gentílicos, por apelidos ou alcunhas.
Todavia há parelhas de guitarristas conhecidas pela sua afinidade familiar.
Assim, há uma parelha de guitarristas conhecida por:«Pai & Filho»!
Poderão imaginar que algo está incompleto.
Sem dúvida:
Existe o Beco do Espírito Santo que fica em Alfama, a seguir ao Largo do Chafariz de Dentro e uma agência de um banco com o mesmo nome perto do Beco do Melo.
Mas, também há por aí, como se sabe, muito «espírito santo de orelha»!
Não haja confusões...
Joseph
sexta-feira, 3 de julho de 2009
quinta-feira, 2 de julho de 2009
Coentros e rabanetes...não vão à mesa do rei!
(Clique na imagem)
O requinte manifestado nos gostos, nas preferências, nos critérios de escolha ou rejeição, poderá caracterizar o indivíduo, artista ou não, sendo perfeitamente dispensável qualquer tipo de discussão sobre assuntos que poderemos considerar de natureza pessoalíssima.
Na esfera social do «estrelato» programam-se atributos e acessórios possíveis e necessários para quem se propõe ser um «único a alcançar a meta»!
As referências às origens, ou raízes, não são aqui obrigatoriamente imprescindíveis.
Há fenómenos que acontecem na mundanidade, e os artistas, seguramente também os fadistas, não ficam imunes aos esquemas que o sistema tece sobretudo quando é preciso moldar uma identidade adequada aos fins que prosseguem.
Causa-nos surpreendente estranheza o facto de o artista entrevistado sugerir, ou recomendar, três restaurantes em Lisboa, com a indicação dos nomes, moradas e números de telefone (para ver, p. f., clicar na figura) sabendo que num universo de mais de meia centena de “casas típicas de Fado”, só em Lisboa, algumas delas credenciadas há mais de meio século, por prestigiadas entidades nacionais e estrangeiras, onde trabalham artistas intérpretes de inegável valor que não deixam os seus créditos por mãos alheias…
Para além de uma publicidade gratuita, para não dizer enganosa, é posta em causa a credibilidade desses estabelecimentos e dos seus elencos de artistas e poderemos de certo modo inferir que não é muito sensato tentar marginalizar e excluir tantos e bons “obreiros” de uma actividade de cultura popular portuguesa conjugada com os primores da nossa gastronomia.
O Fado foi, é e será, dados os requisitos que lhe estão subjacentes, em ambiente de silêncio e pouca luz, espectáculo singular e uma questão de apreciação indiscutivelmente subjectiva.
Na esfera social do «estrelato» programam-se atributos e acessórios possíveis e necessários para quem se propõe ser um «único a alcançar a meta»!
As referências às origens, ou raízes, não são aqui obrigatoriamente imprescindíveis.
Há fenómenos que acontecem na mundanidade, e os artistas, seguramente também os fadistas, não ficam imunes aos esquemas que o sistema tece sobretudo quando é preciso moldar uma identidade adequada aos fins que prosseguem.
Causa-nos surpreendente estranheza o facto de o artista entrevistado sugerir, ou recomendar, três restaurantes em Lisboa, com a indicação dos nomes, moradas e números de telefone (para ver, p. f., clicar na figura) sabendo que num universo de mais de meia centena de “casas típicas de Fado”, só em Lisboa, algumas delas credenciadas há mais de meio século, por prestigiadas entidades nacionais e estrangeiras, onde trabalham artistas intérpretes de inegável valor que não deixam os seus créditos por mãos alheias…
Para além de uma publicidade gratuita, para não dizer enganosa, é posta em causa a credibilidade desses estabelecimentos e dos seus elencos de artistas e poderemos de certo modo inferir que não é muito sensato tentar marginalizar e excluir tantos e bons “obreiros” de uma actividade de cultura popular portuguesa conjugada com os primores da nossa gastronomia.
O Fado foi, é e será, dados os requisitos que lhe estão subjacentes, em ambiente de silêncio e pouca luz, espectáculo singular e uma questão de apreciação indiscutivelmente subjectiva.
Joseph
domingo, 28 de junho de 2009
Galeão "Botafogo"!

Os feitos gloriosos da tripulação deste galeão são tão extraordinários que perpetuaram-se nas páginas gloriosas da nossa História e são uma referência destacada no Brasil onde o futebol marca presença com o Botafogo Football Club que surgiu da fusão com o mais antigo clube:
O Botafogo Futebol e Regatas.
J.F.
Teatro do Mundo!
"Poema da malta das naus"
Lancei ao mar um madeiro,
espetei-lhe um pau e um lençol.
Com palpite marinheiro
medi a altura do Sol.
Deu-me o vento de feição,
levou-me ao cabo do mundo.
pelote de vagabundo,
rebotalho de gibão.
Dormi no dorso das vagas,
pasmei na orla das prais
arreneguei, roguei pragas,
mordi peloiros e zagaias.
Chamusquei o pêlo hirsuto,
tive o corpo em chagas vivas,
estalaram-me a gengivas,
apodreci de escorbuto.
Com a mão esquerda benzi-me,
com a direita esganei.
Mil vezes no chão, bati-me,
outras mil me levantei.
Meu riso de dentes podres
ecoou nas sete partidas.
Fundei cidades e vidas,
rompi as arcas e os odres.
Tremi no escuro da selva,
alambique de suores.
Estendi na areia e na relva
mulheres de todas as cores.
Moldei as chaves do mundo
a que outros chamaram seu,
mas quem mergulhou no fundo
do sonho, esse, fui eu.
O meu sabor é diferente.
Provo-me e saibo-me a sal.
Não se nasce impunemente
nas praias de Portugal.
António Gedeão in "Teatro do Mundo", 1958
Lancei ao mar um madeiro,
espetei-lhe um pau e um lençol.
Com palpite marinheiro
medi a altura do Sol.
Deu-me o vento de feição,
levou-me ao cabo do mundo.
pelote de vagabundo,
rebotalho de gibão.
Dormi no dorso das vagas,
pasmei na orla das prais
arreneguei, roguei pragas,
mordi peloiros e zagaias.
Chamusquei o pêlo hirsuto,
tive o corpo em chagas vivas,
estalaram-me a gengivas,
apodreci de escorbuto.
Com a mão esquerda benzi-me,
com a direita esganei.
Mil vezes no chão, bati-me,
outras mil me levantei.
Meu riso de dentes podres
ecoou nas sete partidas.
Fundei cidades e vidas,
rompi as arcas e os odres.
Tremi no escuro da selva,
alambique de suores.
Estendi na areia e na relva
mulheres de todas as cores.
Moldei as chaves do mundo
a que outros chamaram seu,
mas quem mergulhou no fundo
do sonho, esse, fui eu.
O meu sabor é diferente.
Provo-me e saibo-me a sal.
Não se nasce impunemente
nas praias de Portugal.
António Gedeão in "Teatro do Mundo", 1958
segunda-feira, 22 de junho de 2009
A Arte na areia!

Estamos a chegar ao fim do mês de Junho.
Iniciámos o tão desejado Verão ao ritmo rigoroso das quatro estações do Ano e que, no hemisfério onde nos encontramos, cumpre-se com mais ou menos desvios de ordem climática, estes talvez agravados pela caótica situação provocada pelos excessos da poluição generalizada e sem controlo.
Estas antecipadas ondas de calor, com um número significativo de «feriados» e «pontes», motivaram gente e proporcionaram umas «mini-férias» na praia e no campo.
Todavia, a Cidade respirou as Festas Populares com os já tradicionais arraiais onde, uma vez mais, predominou o ambiente bairrista com algum turismo à mistura.
A Arte pôde sempre estar presente e transportar cenários com os quais poderemos estar familiarizados ou, se quisermos, ligados por laços afectivos e culturais.
Iniciámos o tão desejado Verão ao ritmo rigoroso das quatro estações do Ano e que, no hemisfério onde nos encontramos, cumpre-se com mais ou menos desvios de ordem climática, estes talvez agravados pela caótica situação provocada pelos excessos da poluição generalizada e sem controlo.
Estas antecipadas ondas de calor, com um número significativo de «feriados» e «pontes», motivaram gente e proporcionaram umas «mini-férias» na praia e no campo.
Todavia, a Cidade respirou as Festas Populares com os já tradicionais arraiais onde, uma vez mais, predominou o ambiente bairrista com algum turismo à mistura.
A Arte pôde sempre estar presente e transportar cenários com os quais poderemos estar familiarizados ou, se quisermos, ligados por laços afectivos e culturais.
Joseph
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